sexta-feira, 24 de outubro de 2014

2ª Edição do Workshop Gestão de Conflitos

 
 
O 180 Terapias Acores vem por este meio divulgar a 2ª Edição do Workshop de Gestão de Conflitos, dirigido ao público em geral.
 
Atendendo à adesão e feedback positivo que recebemos na 1ª Edição deste workshop, resolvemos repeti-lo com algumas reformulações.
 
Este workshop é dirigido ao público em geral e visa:
  1. Compreender a dinâmica relacional em situações de conflito
  2. Identificar os estilos pessoais nas situações de conflito
  3. Desenvolver atitudes e comportamentos que facilitem a resolução dos conflitos
  4. Negociar como forma positiva de resolução de conflitos
 
Para mais informações, não hesitem em contatar-nos.
 
Carolina Teves
Elisabete Gomes
 

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

No dia 2 de outubro, o Centro de Terapia Familiar e Intervenção Sistémica foi convidado a participar no programa Grande Plano da RTP Açores para falar sobre a temática dos abusos sexuais. Partilhamos convosco a entrevista com a colega Joana Barros, elemento do grupo 180 Terapias Acores. Esperemos que gostem!


http://www.rtp.pt/play/p1413/e167684/grande-plano

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Será um divórcio rápido a melhor solução?!

    “Ignorar períodos de crise ou fazer o mínimo possível para atravessar a separação ou o divórcio não dá resultado. “Passei demasiado tempo da minha vida a investir nesse casamento e não estou disposta a investir agora neste divórcio!” disse-me um dia um homem. Mal sabia ele a surpresa que o aguardava. Independentemente do que se investe numa relação intíma, pôr-lhe fim exige uma quantidade imensa de tempo, energia e, muitas vezes, dinheiro. Podemos entregar tudo a um advogado e tentar ignorar o processo. Mas os resultados não serão necessariamente positivos e o processo poderá ser desnecessariamente penoso.
    Ao fim de três anos, este pai viu-se confrontado com uma série de coisas que ele pensava que desapareciam naturalmente. Não desapareceram. Ele continuava zangado com a sua antiga companheira, a fraca adaptação dos filhos ao divórcio era agora uma grande preocupação e o seu segundo casamento atravessava uma crise devida aos problemas com a sua ex-mulher e com os filhos. À semelhança de muita gente que não presta a devida atenção à maneira como tratam do processo do divórcio, a sua vida tinha-se tornado muito mais complicada do que anteriormente. Continua ligado, de uma forma ou de outra, à sua ex-mulher e a gastar tanta ou mais energia que anteriormente no processo litigioso. Os filhos precisam dele enquanto pai. Eles precisam que ele encontre uma forma mais construtiva de se relacionar com a mãe. A mulher actual precisa que ele resolva todos estes problemas para poderem então tocar para a frente a sua vida em conjunto. Este homem obteve o divórcio legal, mas por causa dos sentimentos negativos que acalentou durante os últimos três anos, estava agora muito mais longe de pôr um ponto final no seu primeiro casamento do que há três anos atrás.
    Existem formas mais construtivas para ultrapassar a experiência de pôr termo a uma relação intíma. (…)
    Dois lares de facto, sem conflitos, não são algo que se possa construir de um dia para o outro. Requer trabalho, suor e lágrimas. Mas o esforço vale a pena.
    Aquilo que aprendemos até aqui sugere-nos uma nova “constituição” familiar. Se ainda não começou a tirar notas, eis aqui um bom sítio por onde começar:
  •  Toda a criança tem o direito de ter dois lares onde seja acarinhada e dada a oportunidade de se desenvolver harmoniosamente.
  •  Toda a criança tem o direito de um relacionamento sério e atento com ambos os pais.
  •  Todo o pai ou mãe e filhos têm o direito de se designarem família, independentemente da forma como o tempo com os filhos é dividido.
  • Todo o pai ou mãe têm a responsabilidade e o direito de contribuir para a educação dos seus filhos.
  •  Toda a criança tem o direito a ter pais competentes e a manter-se afastada dos problemas e discussões que os pais possam ter.
  •  Todo o pai ou mãe têm o direito à sua privacidade e território e a educar os filhos sem a interferência despropositada do outro.”



Retirado do livro Casa da Mãe, Casa do Pai – um guia para pais separados, divorciados ou que voltaram a casar, Isolina Ricci, 2004

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O meu Fritz

Esta semana destacamos um evento que decorrerá na próxima sexta feira no Bar/Galeria Arco8 e que tem o apoio do 180 Terapias Acores. O evento será o lançamento do livro "O meu Fritz" da autora Ondina Vieira, um livro que toca na alma. Não percam esta apresentação! Nós estaremos lá.
Até sexta!

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

“Eras Tudo para Mim”


“Aparentemente, tudo funcionava muito bem. Não havia problemas entre nós. Nunca houve. Refiro-me a grandes problemas, pois estávamos quase sempre de acordo, pelo menos quanto aos assuntos importantes. Respeitávamo-nos e gostávamos muitíssimo um do outro. Na verdade, gostamos muito um do outro, embora tenhamos erguido um muro entre nós.
Este par, como tantos outros de hoje, desfez-se. Separámo-nos. E, nesse momento, eu quase não percebia porquê. Agora, após algum tempo de reflexão, dou-me conta de que era nos próprios alicerces da nossa relação que residia a doença. Tu e eu, sem preparação, unimos as nossas vidas segundo a forma que tínhamos aprendido, de acordo com o modelo do modelo que recebemos dos nossos pais e que funcionou durante algum tempo. Nesses anos em que nos fomos dando um ao outro, sem cuidarmos de nós próprios.
Eras tudo para mim. Eu vivia por ti e para ti. Cada coisa que fazia, pensava ou sentia trazia-me uma recordação de ti. Só tinha sentido se, depois, a partilhava contigo, se dependia de ti. E enquanto permaneci assim, dentro da relação, em nada me parecia estranha a necessidade que nos unia.
Dependência amorosa ou simbiose – como dizem os especialistas, quando definem esta relação tão problemática e frequente. Segundo eles, o homem desempenha o papel de pai da mulher e esta o papel de mãe do homem. Um ocupa-se do outro e vice-versa. O problema é que a relação se vai consumindo lentamente. Pouco a pouco, vai-se esgotando, por não permitir o crescimento do individual. Psicologicamente, forma-se uma personalidade através da mistura dos dois, de forma que é enorme a fusão a um nível profundo.
E foi isto que aconteceu. A estrutura do nosso par começou a fender-se e as emoções, até então reprimidas, principiaram a brotar com demasiada violência. A raiva acumulada causou estragos. O medo ia-se extravasando mais e mais em cada dia. E o que havia durado tantos anos, com pequenas intervenções, agora não tinha remédio.
Foi muito duro. Terrível e doloroso. Começar de novo. Com o coração desfeito e todas essas emoções a surgirem, brutais, noite após noite. Quando o silêncio de uma casa não partilhada te lembra, em cada momento, que estás só. E choras. Nesses momentos, fazes o que jamais terias sequer sonhado. Falas seja com o que for. Gritas. Ages…
E, pouco a pouco, vais refazendo a tua vida. Ferido ou, pelo menos, maltratado. Inicias a tua vida de separado, com a compensação inicial dos teus amigos. Com o receio de que seja contagioso (e é). Vais aprendendo a viver, de novo, com crescente ilusão e com a esperança de que, depois de tudo por que passaste, possas ter uma segunda oportunidade.”

“Gosto de Fazer Amor”, José F. Zurita     

 http://180terapias-acores.blogspot.pt




quinta-feira, 31 de julho de 2014

Carta dirigida aos pais de um "filho do divórcio"

O Divórcio e o impacto que este acontecimento tem na vida dos filhos tem sido uma tema que abordamos frequentemente.
Hoje partilhamos convosco uma carta escrita por uma criança quando os seus pais se separaram. Esperemos que útil para entenderem o divórcio do ponto de vista das crianças...

(Para aceder ao vídeo vá a: http://familia.com.br/quando-os-pais-se-divorciaram-esse-garoto-lhes-escreveu-uma-carta)


Queridos mãe e pai,
Eu sei que estão a sofrer, eu também estou a sofrer. Sinto que me “alimento” da vossa tensão, medo e choque. Embora eu seja novo e não consiga explicar verbalmente o que se está a passar nas nossas vidas, continuo a sentir o impacto.
O meu coração parte-se cada vez que tenho de renunciar a um de vós, perdi o meu sentimento de segurança. Por favor não assumam que sou resiliente. Por favor não assumam que a minha vida será exactamente igual ao que era e que continuarei a sentir o mesmo amor por ambos.
Sou um ser humano, tal como vós…as minhas necessidades são como as vossas…preciso de amor, atenção, carinho, estabilidade, consistência, afeto, entendimento, paciência e, acima de tudo, de ser desejado.
Quando brigam por causa de mim ou me colocam no meio das vossas discussões, estão a mandar-me a mensagem de que ganhar um ao outro é mais importante do que a minha vida…estou a aprender convosco que é melhor estar certo do que ser amado…estão a ensinar-me que descendo de uma pessoa que não é passível de ser amada e que está errada e que, de certa forma, eu também estou errado.
Quando colocam a vossa dor no meu coração, estão a armazenar uma dor adulta e a roubar a minha infância. Estão a tirar-me a crença de que o amor é incondicional e a substitui-la por uma mensagem que me diz que para ser insensível e não amar porque vou magoar-me e não vou ser capaz de recuperar.
Talvez não compreendam isto agora e eu sou tão pequeno que não pensam no meu futuro, mas estão fazendo com que exista uma maior probabilidade de eu próprio me divorciar.
Às vezes colocam em risco a minha segurança para preencher um vazio no vosso coração. A minha segurança é responsabilidade vossa. Sem vocês e a vossa protecção fico sem “escudos” face ao mundo. Isto se manifestará em mim através de medos irracionais porque permanecerei num estado de luta ou fuga durante a maioria da minha vida.
Algum dia este choque inicial passará, mas a forma como escolheram educar-me durante esta crise, nunca vai passar. Eu vou sentir o vosso sentido de altruísmo, apoio e protecção ou vou ter uma cicatriz no meu coração com uma mensagem que diz “as coisas boas acontecem às pessoas boas”…eu devo ser uma pessoa má…

Atenciosamente,
O filho do divórcio





sexta-feira, 11 de julho de 2014

Birras - como reagir?



Todos sabemos que não é fácil sermos aquele que ouve o «não». Quando dizemos não àquilo que a criança quer, temos de estar preparados para lidar com a reação.

A birra é um elemento característico na vida das crianças na faixa etária dos 2 aos 5 anos. Elas podem ser acometidas de uma raiva intensa e agirem como se estivessem mesmo em desespero, atirando-se para o chão, com os braços e as pernas a abanar. A nossa reacção, regra geral, tende a ser de irritação ou ansiedade, com medo que se magoem. Podemos também sentir-nos embaraçados pelo descontrolo da criança. A forma como a birra nos faz sentir é o que a birra pretende comunicar, acima de tudo pretende que nos preocupemos, que nos sintamos impotentes, cruéis, seja o que for. É assim que a criança se sente. (…) As birras são uma demonstração da perda de um sentido coerente de identidade, de uma sensação de fragmentação.

Estes momentos podem ser assustadores, tanto de viver como de assistir. Quando as crianças pequenas ficam perturbadas, têm tendência a agir em vez de falar e comunicam através do seu comportamento. Se um adulto conseguir contar até dez e depois pegar na criança e tentar fazer com que ela se sinta mais inteira, menos fragmentada pela fúria, há boas probabilidades de que ela se acalme. O trabalho do adulto é manter a calma e não se deixar submergir de tal forma pelos sentimentos da criança ao ponto de estes o dominarem e o levarem a ter também o equivalente de uma birra. As birras não têm a ver com a razão e muitas vezes, quando assistimos a uma birra ou somos os seus causadores, uma parte de nós que sabe como é sentirmo-nos naquele desespero agita-se. Queremos pôr rapidamente fim à experiência e podemos ser sugados para o conflito, em lugar de manter a distância necessária do estado da criança de modo a podermos ajudá-la. Torna-se mais fácil ficarmos zangados e dizermos «Pára já com este disparate» do que perceber que a criança está perturbada e que precisa de ser contida e acalmada.

Quando as crianças são pequenas, ainda conseguimos contê-las fisicamente, segurá-las até a onda passar e ajudá-las a recuperar. Algumas crianças podem precisar desse contato físico, outras podem sentir-se contidas pela sua voz, pela sua paciência ou por as deixar descarregar a seu tempo, limitando-se a estar presente.


Adaptado de Um bom pai diz não, Asha Philips