No dia 2 de outubro, o Centro de Terapia Familiar e Intervenção Sistémica foi convidado a participar no programa Grande Plano da RTP Açores para falar sobre a temática dos abusos sexuais. Partilhamos convosco a entrevista com a colega Joana Barros, elemento do grupo 180 Terapias Acores. Esperemos que gostem!
http://www.rtp.pt/play/p1413/e167684/grande-plano
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Será um divórcio rápido a melhor solução?!
“Ignorar períodos de crise ou fazer o mínimo possível para
atravessar a separação ou o divórcio não dá resultado. “Passei demasiado tempo da minha vida a investir nesse casamento e não
estou disposta a investir agora neste divórcio!” disse-me um dia um homem.
Mal sabia ele a surpresa que o aguardava. Independentemente do que se investe
numa relação intíma, pôr-lhe fim exige uma quantidade imensa de tempo, energia
e, muitas vezes, dinheiro. Podemos entregar tudo a um advogado e tentar ignorar
o processo. Mas os resultados não serão necessariamente positivos e o processo
poderá ser desnecessariamente penoso.
Ao fim
de três anos, este pai viu-se confrontado com uma série de coisas que ele
pensava que desapareciam naturalmente. Não desapareceram. Ele continuava
zangado com a sua antiga companheira, a fraca adaptação dos filhos ao divórcio
era agora uma grande preocupação e o seu segundo casamento atravessava uma
crise devida aos problemas com a sua ex-mulher e com os filhos. À semelhança de
muita gente que não presta a devida atenção à maneira como tratam do processo
do divórcio, a sua vida tinha-se tornado muito mais complicada do que
anteriormente. Continua ligado, de uma forma ou de outra, à sua ex-mulher e a
gastar tanta ou mais energia que anteriormente no processo litigioso. Os filhos
precisam dele enquanto pai. Eles precisam que ele encontre uma forma mais
construtiva de se relacionar com a mãe. A mulher actual precisa que ele resolva
todos estes problemas para poderem então tocar para a frente a sua vida em
conjunto. Este homem obteve o divórcio legal, mas por causa dos sentimentos
negativos que acalentou durante os últimos três anos, estava agora muito mais
longe de pôr um ponto final no seu primeiro casamento do que há três anos
atrás.
Existem
formas mais construtivas para ultrapassar a experiência de pôr termo a uma
relação intíma. (…)
Dois
lares de facto, sem conflitos, não são algo que se possa construir de um dia
para o outro. Requer trabalho, suor e lágrimas. Mas o esforço vale a pena.
Aquilo
que aprendemos até aqui sugere-nos uma nova “constituição” familiar. Se ainda
não começou a tirar notas, eis aqui um bom sítio por onde começar:
- Toda a criança tem o direito de ter dois lares onde seja acarinhada e dada a oportunidade de se desenvolver harmoniosamente.
- Toda a criança tem o direito de um relacionamento sério e atento com ambos os pais.
- Todo o pai ou mãe e filhos têm o direito de se designarem família, independentemente da forma como o tempo com os filhos é dividido.
- Todo o pai ou mãe têm a responsabilidade e o direito de contribuir para a educação dos seus filhos.
- Toda a criança tem o direito a ter pais competentes e a manter-se afastada dos problemas e discussões que os pais possam ter.
- Todo o pai ou mãe têm o direito à sua privacidade e território e a educar os filhos sem a interferência despropositada do outro.”
Retirado
do livro Casa da Mãe, Casa do Pai – um
guia para pais separados, divorciados ou que voltaram a casar, Isolina
Ricci, 2004
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
O meu Fritz
Esta semana destacamos um evento que decorrerá na próxima sexta feira no Bar/Galeria Arco8 e que tem o apoio do 180 Terapias Acores. O evento será o lançamento do livro "O meu Fritz" da autora Ondina Vieira, um livro que toca na alma. Não percam esta apresentação! Nós estaremos lá.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
“Eras Tudo para Mim”
“Aparentemente, tudo funcionava muito bem. Não havia
problemas entre nós. Nunca houve. Refiro-me a grandes problemas, pois estávamos
quase sempre de acordo, pelo menos quanto aos assuntos importantes.
Respeitávamo-nos e gostávamos muitíssimo um do outro. Na verdade, gostamos
muito um do outro, embora tenhamos erguido um muro entre nós.
Este par, como tantos outros de hoje, desfez-se.
Separámo-nos. E, nesse momento, eu quase não percebia porquê. Agora, após algum
tempo de reflexão, dou-me conta de que era nos próprios alicerces da nossa
relação que residia a doença. Tu e eu, sem preparação, unimos as nossas vidas
segundo a forma que tínhamos aprendido, de acordo com o modelo do modelo que
recebemos dos nossos pais e que funcionou durante algum tempo. Nesses anos em
que nos fomos dando um ao outro, sem cuidarmos de nós próprios.
Eras tudo para mim. Eu vivia por ti e para ti. Cada coisa que
fazia, pensava ou sentia trazia-me uma recordação de ti. Só tinha sentido se,
depois, a partilhava contigo, se dependia de ti. E enquanto permaneci assim,
dentro da relação, em nada me parecia estranha a necessidade que nos unia.
Dependência amorosa ou simbiose – como dizem os
especialistas, quando definem esta relação tão problemática e frequente.
Segundo eles, o homem desempenha o papel de pai da mulher e esta o papel de mãe
do homem. Um ocupa-se do outro e vice-versa. O problema é que a relação se vai
consumindo lentamente. Pouco a pouco, vai-se esgotando, por não permitir o
crescimento do individual. Psicologicamente, forma-se uma personalidade através
da mistura dos dois, de forma que é enorme a fusão a um nível profundo.
E foi isto que aconteceu. A estrutura do nosso par começou a
fender-se e as emoções, até então reprimidas, principiaram a brotar com
demasiada violência. A raiva acumulada causou estragos. O medo ia-se
extravasando mais e mais em cada dia. E o que havia durado tantos anos, com
pequenas intervenções, agora não tinha remédio.
Foi muito duro. Terrível e doloroso. Começar de novo. Com o
coração desfeito e todas essas emoções a surgirem, brutais, noite após noite.
Quando o silêncio de uma casa não partilhada te lembra, em cada momento, que
estás só. E choras. Nesses momentos, fazes o que jamais terias sequer sonhado.
Falas seja com o que for. Gritas. Ages…
E, pouco a pouco, vais refazendo a tua vida. Ferido ou, pelo
menos, maltratado. Inicias a tua vida de separado, com a compensação inicial
dos teus amigos. Com o receio de que seja contagioso (e é). Vais aprendendo a
viver, de novo, com crescente ilusão e com a esperança de que, depois de tudo
por que passaste, possas ter uma segunda oportunidade.”
“Gosto de Fazer Amor”, José F. Zurita
http://180terapias-acores.blogspot.pt
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Carta dirigida aos pais de um "filho do divórcio"
O Divórcio e o impacto que este acontecimento tem na vida dos filhos tem sido uma tema que abordamos frequentemente.
Hoje partilhamos convosco uma carta escrita por uma criança quando os seus pais se separaram. Esperemos que útil para entenderem o divórcio do ponto de vista das crianças...
(Para aceder ao vídeo vá a: http://familia.com.br/quando-os-pais-se-divorciaram-esse-garoto-lhes-escreveu-uma-carta)
Hoje partilhamos convosco uma carta escrita por uma criança quando os seus pais se separaram. Esperemos que útil para entenderem o divórcio do ponto de vista das crianças...
(Para aceder ao vídeo vá a: http://familia.com.br/quando-os-pais-se-divorciaram-esse-garoto-lhes-escreveu-uma-carta)
Queridos mãe e pai,
Eu sei que estão a
sofrer, eu também estou a sofrer. Sinto que me “alimento” da vossa tensão, medo
e choque. Embora eu seja novo e não consiga explicar verbalmente o que se está
a passar nas nossas vidas, continuo a sentir o impacto.
O meu coração parte-se
cada vez que tenho de renunciar a um de vós, perdi o meu sentimento de
segurança. Por favor não assumam que sou resiliente. Por favor não assumam que
a minha vida será exactamente igual ao que era e que continuarei a sentir o
mesmo amor por ambos.
Sou um ser humano, tal
como vós…as minhas necessidades são como as vossas…preciso de amor, atenção,
carinho, estabilidade, consistência, afeto, entendimento, paciência e, acima de
tudo, de ser desejado.
Quando brigam por
causa de mim ou me colocam no meio das vossas discussões, estão a mandar-me a
mensagem de que ganhar um ao outro é mais importante do que a minha vida…estou
a aprender convosco que é melhor estar certo do que ser amado…estão a ensinar-me
que descendo de uma pessoa que não é passível de ser amada e que está errada e
que, de certa forma, eu também estou errado.
Quando colocam a vossa
dor no meu coração, estão a armazenar uma dor adulta e a roubar a minha
infância. Estão a tirar-me a crença de que o amor é incondicional e a substitui-la por uma mensagem que me diz que para ser insensível e não amar porque vou
magoar-me e não vou ser capaz de recuperar.
Talvez não compreendam
isto agora e eu sou tão pequeno que não pensam no meu futuro, mas estão fazendo
com que exista uma maior probabilidade de eu próprio me divorciar.
Às vezes colocam em
risco a minha segurança para preencher um vazio no vosso coração. A minha
segurança é responsabilidade vossa. Sem vocês e a vossa protecção fico sem
“escudos” face ao mundo. Isto se manifestará em mim através de medos
irracionais porque permanecerei num estado de luta ou fuga durante a maioria da
minha vida.
Algum dia este choque
inicial passará, mas a forma como escolheram educar-me durante esta crise,
nunca vai passar. Eu vou sentir o vosso sentido de altruísmo, apoio e protecção
ou vou ter uma cicatriz no meu coração com uma mensagem que diz “as coisas boas
acontecem às pessoas boas”…eu devo ser uma pessoa má…
Atenciosamente,
O filho do divórcio
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Birras - como reagir?
Todos sabemos que não é fácil sermos aquele que
ouve o «não». Quando dizemos não àquilo que a criança quer, temos de estar
preparados para lidar com a reação.
A birra é um elemento característico na vida das
crianças na faixa etária dos 2 aos 5 anos. Elas podem ser acometidas de uma
raiva intensa e agirem como se estivessem mesmo em desespero, atirando-se para
o chão, com os braços e as pernas a abanar. A nossa reacção, regra geral, tende
a ser de irritação ou ansiedade, com medo que se magoem. Podemos também
sentir-nos embaraçados pelo descontrolo da criança. A forma como a birra nos
faz sentir é o que a birra pretende comunicar, acima de tudo pretende que nos
preocupemos, que nos sintamos impotentes, cruéis, seja o que for. É assim que a
criança se sente. (…) As birras são uma demonstração da perda de um sentido
coerente de identidade, de uma sensação de fragmentação.
Estes momentos podem ser assustadores, tanto de
viver como de assistir. Quando as crianças pequenas ficam perturbadas, têm
tendência a agir em vez de falar e comunicam através do seu comportamento. Se
um adulto conseguir contar até dez e depois pegar na criança e tentar fazer com
que ela se sinta mais inteira, menos fragmentada pela fúria, há boas
probabilidades de que ela se acalme. O trabalho do adulto é manter a calma e
não se deixar submergir de tal forma pelos sentimentos da criança ao ponto de
estes o dominarem e o levarem a ter também o equivalente de uma birra. As
birras não têm a ver com a razão e muitas vezes, quando assistimos a uma birra
ou somos os seus causadores, uma parte de nós que sabe como é sentirmo-nos
naquele desespero agita-se. Queremos pôr rapidamente fim à experiência e
podemos ser sugados para o conflito, em lugar de manter a distância necessária
do estado da criança de modo a podermos ajudá-la. Torna-se mais fácil ficarmos
zangados e dizermos «Pára já com este disparate» do que perceber que a criança
está perturbada e que precisa de ser contida e acalmada.
Quando as crianças são pequenas, ainda conseguimos
contê-las fisicamente, segurá-las até a onda passar e ajudá-las a recuperar.
Algumas crianças podem precisar desse contato físico, outras podem sentir-se
contidas pela sua voz, pela sua paciência ou por as deixar descarregar a seu
tempo, limitando-se a estar presente.
Adaptado de Um
bom pai diz não, Asha Philips
terça-feira, 1 de julho de 2014
“O conflito nos tempos atuais é inevitável e sempre evidente. Entretanto, compreendê-lo, e saber lidar com ele, é fundamental para o seu sucesso pessoal e profissional”.
Os conflitos são presentes em todos os ambientes, organizacionais ou não, pois sempre que houver a convivência entre um grupo de pessoas, inevitavelmente haverá divergências de ideias, objetivos, dinâmicas, entre outros fatores. Na maioria das situações somos impelidos a ver os conflitos como sinónimo de problema, mas, será possível que as divergências tragam benefícios às nossas relações, sejam pessoais, familiares ou laborais?
Berg (2012) defende que existem três tipos de conflitos: pessoais, interpessoais e organizacionais. Conflito pessoal: é como a pessoa lida consigo própria, são inquietações, dissonâncias pessoais do indivíduo, e reflete um abismo entre o que se diz e faz, ou o contraste entre o que se pensa e como se age. Esse tipo de conflito pode levar a determinados estados de stress e atrito. Conflito interpessoal: é aquele que ocorre entre indivíduos, quando duas ou mais pessoas encaram uma situação de maneira diferente. Embora boa parte dos conflitos sejam causados por processos organizacionais, a maioria dos atritos e desavenças são, no entanto, de origem interpessoal, o que as torna mais difíceis de se lidar. Podem existir ainda dentro dos conflitos interpessoais, o intragrupal (divergência numa mesma área, setor, etc.), e intergrupal (dissensão entre áreas, setores diferentes). Conflito organizacional: esse tipo de conflito não é fundamentado num sistema de princípios e valores pessoais, e sim do resultado das dinâmicas organizacionais em constante mudança, muitas delas externas à empresa.
Em todos os casos onde há conflito há pessoas, onde há pessoas há emoções.
No nosso entender as situações conflituosas, quando geridas de forma positiva , podem apresentar oportunidades de crescimento e mudanças.
Dia 03 de Julho a não perder, Workshop de Gestão de Conflitos! Hotel Vip às 15h!
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