quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Alienação Parental


Hoje deixamos aqui o link do vídeo promocional do documentário Indizível - A alienação Parental em Portugal. Pretendemos assim alertar e sensibilizar para o tema.


Tal como se explica no texto do vídeo, alertamos para o facto de todos os testemunhos serem de pais, sexo masculino, o que reflete a opção de quem fez o documentário, pois a alienação parental pode ser perpetuada por mães, pais, avós ou outros familiares.

http://vimeo.com/12489169

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

FÉRIAS

“Sempre me fascinou ver como as pessoas vão a pouco e pouco encarando de forma diferente as férias. Desde logo quase todos passamos a só gozar as grandes, mas de tal forma encolhidas e isoladas que o adjectivo deixa de se justificar, são as férias e ponto final. Se a duração é menor, a possibilidade de escolha torna-se quase nula. Os estudos dos garotos ditam a sua lei e empurram-nos inexoravelmente para julho ou agosto (…).
E depois existe o subsídio de férias já destinado, a necessidade de articular as férias de ambos os pais, o problema de como ficam os avós. (…) Recompondo-nos física e mentalmente após um ano de trabalho, permitirão cumprir um sonho adiado há onze meses – a família estar em família.
A profissão ensinou-me a ser comedido. No princípio do Verão ouço com frequência discursos de esperança, “talvez nas férias…”Aconteça o quê? Um casamento fracassado se recomponha, o silêncio com os miúdos dê lugar a conversas fáceis, o futuro não se perfile igual ao presente, ambos tão distantes do que o passado prometia. E às vezes os pedidos são atendidos, as pessoas regressam reconciliadas com o mundo em geral e o seu nicho ecológico em particular (…). Às vezes…porque também surgem outras surpreendidas, não só os problemas não se resolveram como até pioraram.
As férias colocam-nas em situações que amiúde foram evitadas - consciente ou inconscientemente – ao longo do ano. É verdade que a vida é dura e apressada, mas por vezes os silêncios, as ausências, os pseudodiálogos através da novela, da prestação da casa e das notas dos miúdos reflectem uma distância entre as pessoas que surge de dentro para fora e não no sentido inverso. Nesses casos as férias tornam-se angustiantes, os outros ali tão perto, 24 horas por dia, disponíveis, oficialmente o vento está de feição e no entanto o casal ou toda a família permanecem incapazes de evitar os baixios; encalham.  
Mas sempre deixo uma pista, tão simples que aceitarei de bom grado o rótulo de discípulo de La Palisse: as férias agradáveis “preparam-se” ao longo do ano.”

Júlio Machado Vaz

“Conversas no Papel”   

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Contar histórias ...

        
             Bateram-me no carro! Ficou todo partido! Já viste o meu azar! Tudo me corre mal na vida! Bolas! Cortam-me no ordenado e exigem cada vez mais; chego a casa e lá vem a Maria me chatear, os meus filhos sempre a discutir por tudo e agora mais esta! Estou farto! – contava o João irado ao Manel.
- Olha que sorte João! Se te bateram no carro, o seguro paga e ainda ficas com um carrinho novinho em folha! – retorquiu o Manel.
Ao entrar em casa, João já ouvia os gritos dos dois filhos em luta pelo PC, a Maria berrava ainda mais alto dizendo, “sempre a mesma coisa e o vosso pai nada de aparecer para não variar!”. Por um segundo, João sentiu a irritação invadi-lo e quando estava prestes a gritar “mas que raio se passa desta vez aqui?!” estacou! Respirou profundamente e decidiu chamar a família com a voz mais calma que conseguiu.
- Hoje bateram-me no carro, mas deram-me um carro novinho! E que me dizem a irmos dar um passeio nele? – propôs
Os olhares inicialmente estupefactos de todos deram lugar a sorrisos animados dos filhos que rapidamente anuíram e a uma Maria que, ainda surpresa, pegava com um ar ligeiramente divertido no seu casaco!
Desde sempre e de diferentes formas, o ser humano ouviu e contou histórias. Vivemos tempos, no entanto, em que é preciso restaurar a generosidade do ouvir e ser ouvido, do acolher e do oferecer o bálsamo das histórias. Afinal, conhecer personagens que falem à nossa alma, que nos curem, ou que enfrentem desafios para, no final, serem felizes para sempre, é buscar a construção de um mundo mais leve. A arte de contar histórias é uma viagem que nos transforma, que nos coloca como contadores e ouvintes, como narradores e protagonistas. Por vezes o nosso livro da vida, retrata um mundo pesado onde as personagens são sofredoras nas suas lutas contra as adversidades e nós como qualquer autor saturado da sua narrativa, bloqueámos, não conseguimos escrever novas páginas…páginas diferentes. Damos por nós tentando escrever mais parágrafos, mas ora não conseguimos ou  são quase iguais aos anteriores…
         Qual bloqueio de escritor, ficamos frustrados, perdidos e ansiosos…afinal a “Editora Vida” tem os seus timings e sentimos que o relógio avança e que não continuamos o livro de forma diferente, sentimos que não estamos no caminho para o final desejado.
        Contudo, há que lembrar: somos os autores da nossa história e como tal, a qualquer altura podemos reescrever a nossa história, podemos olhar para as páginas escritas e mudar a sua pontuação, podemos criar novas personagens que ajudem o protagonista ao final desejado, ou fazê-lo encontrar poderes ocultos dentro de si, podemos mudar a nossa narrativa!
        Qual criança nos contos de encantar, temos que acreditar! Acreditar na nossa capacidade de criar, inovar, de olhar de outro ângulo para as situações que se nos apresentam, na nossa capacidade lutar e nos finais que ainda que com entraves, são felizes para nós.
Elisabete Gomes
 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Procura um Amante!

Procura um Amante!

“Muitas pessoas têm um amante e outras gostariam de o ter. Também há aquelas que não o têm ou as que o tiveram e o perderam…são geralmente estas últimas as que aparecem no consultório a queixarem-se que estão tristes ou que sofrem outros sintomas como insónia, pessimismo, falta de vontade, crises de choro…
Descrevem as suas vidas de forma monótona, sempre com as mesmas rotinas, que trabalham sem prazer somente para receber o ordenado ao final do mês e que não sabem como ocupar o seu tempo livre…enfim sentem-se desesperadas! Acabam mesmo por recorrer a médicos, psiquiatras, psicólogos e, em situações de maior angústia, bruxas e videntes…chegam mesmo a tomar medicação, muitas vezes desajustada à sua sintomatologia, recebendo como prémio de consolação o rótulo de “Depressão”.
Pois bem, o que estas pessoas precisam (e todos nós) é de um Amante! Passo a explicar: um Amante é o que nos apaixona! O que ocupa o nosso pensamento antes de dormir e que, também, às vezes não nos deixa dormir. O Amante é aquele que nos confere sentido e motivação à vida.
 Às vezes encontramos o nosso Amante no nosso companheiro ou noutras pessoas significativas. Também podemos encontrar na literatura, na música, no desporto, na amizade, na comida, no prazer em fazer o nosso hobby…enfim, um Amante é “alguém” ou “algo” que nos põe “a namorar com a vida” e que nos afasta do triste destino de “durar”.
O que significa “Durar”? Durar é ter medo de viver. É viver a vida dos outros, é deixar-se levar pela pressão, é deambular pelos consultórios médicos, é olhar com decepção ao espelho a nova ruga que nos apareceu, é preocupar-nos com o frio, a chuva, a humidade, o calor. “Durar” é adiar a possibilidade de desfrutar o momento no aqui e no agora, angustiando por algo que gostaríamos de ter ou de ser…
Por favor, procura um Amante, sê o Amante e protagonista da tua vida…pensa que o trágico não é morrer, pois a morte tem boa memória e nunca se esquece de nada…
O trágico é não animar-se a viver…sem mais dúvidas procura um Amante!
Para estar contente, activo e sentir-se feliz há que estar noivo com a vida.”
  
Adaptado de Jorge Bucay “Hay que tener un amante”







segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Os avós e o divórcio


“O comportamento dos avós perante o divórcio varia muito. Umas vezes distanciam-se por completo do conflito e, mesmo em relação aos netos, adoptam uma atitude de afastamento. É provável que as emoções desencadeadas pela ruptura sejam de difícil manejo, ou que a opção de não tomar partido seja usada para não agravar divergências. Os netos compreendem mal a distância, porque a presença dos avós oferece alguma estabilidade que os pode tranquilizar, num momento em que sentem a iminência da saída de casa de um dos progenitores. Noutros casos, o comportamento é diferente: os avós tornam-se uma espécie de guardas dos netos, vigiando e criticando os pais em ruptura, com o argumento de que se torna crucial defender as crianças dos conflitos.“

A razão dos avós, Daniel Sampaio, 2008


Acrescentaria ainda as situações em que os avós aliam-se a um dos progenitores, normalmente o próprio filho, contra o outro progenitor. O perigo ocorre quando estes avós envolvem os netos no conflito entre os pais, conflito este que agora passa a ser familiar. Ter uma criança que convive com avós que falam mal do progenitor com quem não vive, que impossibilitam ou dificultam os contactos do neto com esse progenitor, é tão grave como ter um progenitor a assumir este papel. Envolver os netos nesta guerra implica claramente uma perturbação no seu bem-estar emocional.

Por outro lado, existem divórcios em que um dos progenitores impede o contato do filho com os avós, normalmente os pais do outro progenitor, situação que também pode afetar negativamente as crianças, sobretudo as que até então conviviam frequentemente com os referidos avós. Neste âmbito tem sido muito discutida a possibilidade de se criar um direito de visitas para os avós, havendo já alterações legislativas noutros países, como o Brasil, que consagram este direito. Na legislação portuguesa existe um artigo que defende o convívio com irmãos e ascendentes (art. 1887-A, Código Civil), onde se podem incluir os avós. Em Portugal, este tem sido um problema cada vez mais recorrente, existindo já decisões judiciais defendem a importância dos convívios entre avós e netos, caso não haja nenhum impedimento justificativo.

Os avós são elementos essenciais na vida familiar das crianças e numa situação de divórcio devem mostrar-se disponíveis e manter-se o mais neutros possíveis, sobretudo no que diz respeito aos netos.

                Carolina Teves

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Onde está a minha voz?!



“Sinto-me deprimida(...), sinto-me sem voz!” - disse ela em sessão.
Dei por mim dias depois a refletir sobre a importância da Voz!
Voz, essa imensa capacidade que o ser humano tem de emitir sons que lhe permitem falar, rir, cantar, chorar, gritar... permite-nos comunicar e como tal é um instrumento fundamental nas relações humanas. Porém, mais do que permitir que a linguagem esteja presente e se criem diálogos e como tal interações com outros, a nossa voz expressa os nossos pensamentos, sentimentos e emoções.  
Na azáfama do dia-a-dia e com as múltiplas exigências do quotidiano moderno, cada vez mais temos dificuldade em ouvir a nossa voz! Não aquela que produz sons através das cordas vocais, mas aquela que condiciona a nossa forma de estar, sentir e agir. Quando perdemos a capacidade de nos escutar, de escutar o nosso corpo, as nossas sensações mais imediatas e viscerais, a linguagem inarticulada do “eu”, quando acumulamos vivências sem as integrar em nós, deixámo-nos invadir pelas tensões, pelas preocupações, pelo cansaço, por emoções reprimidas, sentimo-nos assoberbados, ansiosos, deprimidos, perdidos e debilitamos a nossa capacidade de lidar e enfrentar as situações desafiantes da vida. Frequentemente paralisamos e rigidificamos em posições que promovem a manutenção deste nosso mal-estar e a não resolução das crises ou situações problemáticas que vivenciamos. Muitas vezes, a voz perde-se no mar de vozes externas que ao longo da vida nos marcaram ou marcam e que persistem dentro de nós, condicionando ainda que de forma inconsciente o que fazemos e como nos sentimos, por vezes até nos maltratando. Na maior parte das vezes nem nos damos conta que não estamos a ouvir a nossa Voz, mas simplesmente constatamos que não estamos bem e que não estamos a conseguir alterar este nosso estado.
Reencontrar a nossa Voz interior é pois essencial para o nosso bem-estar, há que amplificar as nossas ressonâncias internas, há que “dar voz à nossa Voz”, quer essa voz se manifeste verbal ou não verbalmente, o importante é que sejamos pelo menos capazes de dar conta da sua existência.
“Dar conta da sua voz, dar voz à sua Voz” - pensei eu – “ estamos aqui para isto! As múltiplas facetas da terapia!”.


                                                                                                                                 Elisabete Gomes

quarta-feira, 10 de julho de 2013

A importância dos Avós


Nos tempos em que vivemos, um casal que tenha filhos, que ambos os pais exerçam actividade profissional fora de casa e com as dificuldades económicas com que nos deparamos, recorrer aos avós para ficar com os netos é uma solução cada vez mais procurada pelos pais de hoje. A importância dos avós não deve ser descurada, não só pela ajuda que fornecem, mas também pela transmissão transgeracional da sua história, dos seus valores e da educação que deram aos filhos, que acaba por influenciar o crescimento e educação dos netos e das gerações seguintes.
Aqui fica um excerto do livro “a razão dos avós” de Daniel Sampaio, que aborda este tema.
“Em regra, os pais planeiam com cuidado a ocasião para ter filhos, decisão que hoje adiam cada vez mais. Em muitos casais, os trinta anos são a idade preferida para ter o primeiro filho e alguns consideram natural que eles nasçam até aos quarenta. Os avós, pelo seu lado, vivem a possibilidade de ter um neto de uma forma imaginária: não têm, neste e em muitos outros aspectos, capacidade para decidir, por isso guardam com maior ou menor serenidade a oferta de um neto que os filhos lhe poderão proporcionar. Pode ser uma expectativa silenciosa, ou um desejo confidenciado de forma mais ou menos aberta. Para alguns, de boa saúde e activos profissionalmente, às vezes com funções de chefia de acordo com os seus cinquenta anos, é uma ideia ténue, que surge em sonhos ou é apenas aflorada em conversas com amigos: nesses casos, é uma possibilidade que se deseja, mas que não se quer apressar.
O anúncio de que se vai ser avô introduz um novo ciclo familiar. Começa por ser antecipado, porque quase todos temos, em maior ou menor grau, um certo desejo de que a família não acabe. “
(…)
“Espero demonstrar com este livro que, ao contrário da voz corrente, os avós são os grandes educadores da actualidade. Presentes em muitos momentos decisivos da vida das crianças ou adolescentes, desempenham um importante papel de ajuda aos pais, mas são também os reservatórios da família, que asseguram a continuidade da história da família ao longo das gerações. Sempre que descuramos a sua voz, arriscamo-nos a não conseguir transformações significativas.
No meio da actual discussão sobre a parentalidade, essa competência para ser pai ou mãe que tanto mobiliza o debate educativo, os avós são os grande esquecidos. Apresentados como reformados, ultrapassados ou doentes, são referidos como seres indispensáveis para a família, ou mostrados como alguém que deseduca, porque satisfaz todas as vontades dos netos, enchendo-os de perigosas gratificações. E, no entanto, os pais cada vez recorrem mais aos avós, quer como suporte afectivo, quer como ajuda financeira em muitas situações do quotidiano familiar: são os avós que auxiliam para a compra da casa, tomam conta das crianças para os pais saírem ou funcionam como apaziguadores em muitas crises familiares, sobretudo na adolescência, como veremos mais adiante. E que dizer do verdadeiro gosto de muitos netos, que trocam saídas com os amigos por tardes a conversas com os avós, para grande surpresa dos pais?"

                                                                                                   A razão dos avós,  Daniel Sampaio, 2008