“O comportamento dos avós perante
o divórcio varia muito. Umas vezes distanciam-se por completo do conflito e,
mesmo em relação aos netos, adoptam uma atitude de afastamento. É provável que
as emoções desencadeadas pela ruptura sejam de difícil manejo, ou que a opção
de não tomar partido seja usada para não agravar divergências. Os netos
compreendem mal a distância, porque a presença dos avós oferece alguma
estabilidade que os pode tranquilizar, num momento em que sentem a iminência da
saída de casa de um dos progenitores. Noutros casos, o comportamento é
diferente: os avós tornam-se uma espécie de guardas dos netos, vigiando e
criticando os pais em ruptura, com o argumento de que se torna crucial defender
as crianças dos conflitos.“
A razão dos avós, Daniel Sampaio, 2008
Acrescentaria ainda as situações em
que os avós aliam-se a um dos progenitores, normalmente o próprio filho, contra
o outro progenitor. O perigo ocorre quando estes avós envolvem os netos no
conflito entre os pais, conflito este que agora passa a ser familiar. Ter uma
criança que convive com avós que falam mal do progenitor com quem não vive, que
impossibilitam ou dificultam os contactos do neto com esse progenitor, é tão
grave como ter um progenitor a assumir este papel. Envolver os netos nesta
guerra implica claramente uma perturbação no seu bem-estar emocional.
Por outro lado, existem divórcios
em que um dos progenitores impede o contato do filho com os avós, normalmente
os pais do outro progenitor, situação que também pode afetar negativamente as
crianças, sobretudo as que até então conviviam frequentemente com os referidos
avós. Neste âmbito tem sido muito discutida a possibilidade de se criar um direito
de visitas para os avós, havendo já alterações legislativas noutros países,
como o Brasil, que consagram este direito. Na legislação portuguesa existe um
artigo que defende o convívio com irmãos e ascendentes (art. 1887-A, Código
Civil), onde se podem incluir os avós. Em Portugal, este tem sido um problema
cada vez mais recorrente, existindo já decisões judiciais defendem a
importância dos convívios entre avós e netos, caso não haja nenhum impedimento
justificativo.
Os avós são elementos essenciais
na vida familiar das crianças e numa situação de divórcio devem mostrar-se
disponíveis e manter-se o mais neutros possíveis, sobretudo no que diz respeito
aos netos.
Carolina Teves
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